A dor do sábado à noite

A coisa funciona mais ou menos assim: você falava que não quer namorar nem nada. Falava inclusive que não queria casar. Até que arruma alguém. E fica 5 anos. E de repente se acostuma em ter alguém, independente se é, foi ou será amor. É comum. É rotineiro. É normal e pronto. Faz da vida. Tipo tomar café ou respirar. É como se aquilo sempre existisse na sua vida.

E ai você simplesmente passa a ter uma agenda compartilhada. Você não decide nada sozinha mais. Tem aquilo que você inclui na agenda dele. E ele na sua. E aquilo é normal. Sempre tem algo pra fazer. E muitas vezes ‘vocês’ se pegam desejando não ter ‘nada pra fazer’, só pra ficarem quietos. Seja juntos ou sozinhos mesmo. Porque afinal… nem só mais vocês sabem ficar. Como é mesmo ser dona totalitária da sua agenda? Decidir sozinha? Isso não existe mais.

Mas ai, a senhora vida, achando que está tudo muito rotineiro, vem e muda todo o cenário. E a possibilidade de casamento vira apenas uma história quase inacreditável pra contar. E eis que agenda se libera. Você é novamente dona do seu próprio nariz. Pronto. Partiu baladas, encontrar com as amigas, tirar vários projetos do papel, ficar mais tempo com a família, e até consigo mesma. Afinal, ficar só também é importante e faz parte.

E haja compromisso! Caramba! Que agenda lotada… todo dia uma coisa pra fazer. Um amigo pra ver. Um filme pra assistir. Um evento. Uma festa. Outro evento. Um aniversário. Outro amigo. Um chá de felicidade de alguma situação de alguém. É difícil até de achar um horário. Sabe aquela amiga que precisa de ajuda? Putz, agenda pra daqui a duas terças! E a outra de Curitiba? Só pra combinar uma ligação foi difícil, depois de quase 1 semana deve ter dado certo. E o material que você tinha pra ler e dar um feedback? Até pra se divertir precisa colocar na agenda. Nossa, cade o tempo que estava aqui? #ogatocomeu

Só que ninguém te contou, que por mais que sua agenda esteja lotada, e você cheia de coisas importantíssimas pra fazer, chega um momento que você dá um ‘bug’ e precisa parar. E esse momento tem dia e hora pra acontecer: ‘sábado a noite’. E a agenda super lotada não faz sentido, e o tédio toma conta. E por mais que você tenha muitos amigos (amigos mesmo, não estamos falando de conhecidos não), simplesmente parece que TODOS já tem compromissos marcados. E quase nunca você está incluído neles… Nem mesmo as (poucas!) amigas solteiras estão disponíveis.

Eis que aquela velha conhecida música vem na sua mente “todo mundo espera alguma coisa sábado a noite” e você não sabe se ri ou chora. Quando você olha pro lado, e vê que até seu pai tem programação e você não, dá pra ficar sem ação. Sério, preciso confessar: eu não estava preparada para a ‘dor do sábado a noite’. Em que eu posso ter mil coisas pra fazer, mas me sentir sozinha se torna tão grande que me imobiliza.

E simplesmente nada acontece. E geralmente é nada mesmo. Literalmente. E não é um nada ‘sadio’. É um nada do tipo: não leio, não saio, não como, não escrevo, não gravo, nem edito. Um ‘nada’ que nem lavar vasilha parece ser ‘algo pra fazer’. É apenas um ‘nada’ que não agrega. E não dá pra entender como as horas passam. De repente é 18h. E depois dá 23h e você vai dormir. E você não fez nada. Inclusive, nem viveu.

Sei não, mas será que na farmácia encontro remédio pra essa dor?

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P.S.1 –  Outra parte apavorante disso tudo é quando você percebe que sua agenda atual não cabe alguém. Irônico não? Mas acontece às vezes… você até tenta encaixar um novo alguém, mas parece que não cabe! Mas não se engane, no sábado a noite, o ‘buraco’ aparece… #comofaz?

P.S.2 – É engraçado pensar que nem ‘programa de solteiro’ aparece para fazer! Parece que o mundo resolve girar no sábado a noite e não te inclui no pacote! E nem adianta me falar que: convide você as amigas… porque já juro que já tentei… e vivo tentando. Tem hora que penso que o problema deve estar em mim, mas ai desisto de pensar nisso. Não vale a pena. #ésóaguardar #minhahoravaivoltar

P.S.3 – E por favor, não venha me falar que é possível ser feliz sozinha, e que sou ‘inteligente & independente’ e não preciso de ninguém pra ser feliz, porque colega, lamento te informar, mas eu já sei disso. Dá SIM pra viver sozinha. Mas a questão é que também é legal ser feliz com alguém. Só isso. #passalogoessador

 

 

 

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Ana Paula Cândido

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